quinta-feira, 15 de julho de 2010

Crônica/16

Já faz algum tempo que eu ando me desfazendo dos meus livros. Quer dizer, desfazer não é exatamente a palavra. Eu ando doando, vendendo ou tentando trocar por outros livros. Tirando as minhas coleções do Galeano e do Sabino e alguns exemplares, livro, para mim, tem que ser passado adiante.

Falo isso tanto pela questão de transmitir conhecimento e cultura como pela questão de passar algo que já não quero mais.

Hoje mesmo, me livrei de um desses livros: "Dicionário de Porto-alegrês", de Luís Augusto Fischer. Desde fevereiro, quando trouxe o restante de meus livros de Fortaleza para o Rio de Janeiro, eu o separei com uma única intenção: passá-lo adiante. E já tinha alguém em vista para isso - minha amiga Gabriela, cearense como eu, mas que está morando e estudando em Porto Alegre.

De repente, enquanto pegava no livro para colocá-lo no envelope, me lembrei que ele tinha uma dedicatória. Não era do autor, mas da pessoa que o deu de presente para mim, um gaúcho, amor de verão. Felizmente, estava escrita a lápis. Aí, eu passei a borracha: uma, duas, três vezes. Mas o gaúcho deve ter usado um lápis com tecnologia espacial avançada, pois ainda dava para ler o que estava escrito.

Me indaguei: compro um novo exemplar para Gabi? Mas o que farei com este? Será que consigo vendê-lo ou trocá-lo? Confesso que nunca terminei de lê-lo, mas isso, para mim, não é motivo suficiente para guardá-lo. Então, decidi: quer saber, não tem problema! A Gabi adora livros, é bem capaz de nem notar a "sombra" da dedicatória. E, no fim das contas, esse livro vai ser mais útil para ela do que para mim. E assim, eu o empacotei. Junto, uma carta, um marcador de página e mais alguns apetrechos.

Agora, ao escrever esta crônica, pensei uma coisa, que foi o real motivo para começar a escrever, afinal. Pensei que o passado da gente é exatamente como essa dedicatória: às vezes, a gente tenta apagar, por um motivo qualquer, mas ainda fica um resquício.

Aí, cabe a escolha do que fazer - com o passado ou com o livro: deixar quieto, criando poeira ou encontrar uma utilidade para ele. Você pode se perguntar: mas que utilidade pode ter o passado, se já passou? E eu lhe respondo: o passado pode virar poesia ou qualquer outra forma de Literatura. Ou pode virar simplesmente experiência, bagagem.

Desculpem o trocadilho, mas hoje meu passado, em forma de livro e dedicatória, virou presente para Gabi. E eu espero apenas que ela goste do regalo.

2 comentários:

O Jardim disse...

Muito legal teu texto, é bem isso mesmo que acontece! Eu tinha um livro com dedicatória e não a queria mais e acabei arrancando a folha, esses dias fui mexer no livro e lembrei da folha arrancada... Tentei lembrar do que estava escrito mas já não lembrava, foi uma escolha, arrancar a folha e agora só resta uma sombra de lembraça que foi a existência dela.

Se quiser podemos conversar e fazer trocas de livros! Amo ler e aposto que tanto eu quanto você devemos ter livros inéditos uma para a outra.
Me adiciona ou me manda um email:
siv_staniak@hotmail.com

e conto com sua visita em meus blogs:

http://jardim-das-hesperides.blogspot.com

e

http://pinguimrosa.blogspot.com

Até! ^^

Tatyana França disse...

Oi, moça!
Obrigada por teu coment :) E vamos fazer troca de livros, sim!! Vou te mandar a lista dos que tenho aqui que quero trocar e fico no aguardo da tua ;)
Ah, virei sua seguidora, oks?!
Até!