domingo, 31 de outubro de 2010

Poesia/106

Um alfinete para ele
Outro para ela
Um despacho na encruzilhada
Junto, uma vela
Costurado com linha preta
Um nome na boca do sapo
E outro nome, besuntado em mel
Descansa perto do porta retrato
As bruxas vivem pelo mundo
Lançando seus feitiços para todos os lados
Há quem não tema e há quem corra
E também quem as procure
Com medo de perder o namorado
Os feitiços são variados
Tal qual as bruxas, que podem ser feias ou belas
Mas o pior feitiço poucos sabem
É aquele olhar torto na janela.

sábado, 30 de outubro de 2010

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Microconto/38

Após de muito tempo, ele lhe bateu à porta.
Ela atendeu surpresa. Ofereceu-lhe um café. Ele recusou.
Ofereceu bolo, chá com torradas. Ele continuou recusando as ofertas.
Até que ela, decidida, disse:
- Espere um minuto.
Foi ao quarto, pegou o monte de envelopes amarrado com uma fita vermelha. Jogou no colo dele e disse apenas:
- Sirva-se.
E ele assim o fez. Devorou todas as palavras com avidez. Há muito não se servia de cartas de amor.
Depois, como ela já esperava, ele foi embora, satisfeito. Mas dessa vez, para nunca mais voltar.

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Poesia/105

Eu te amei
Você me amou
Mas ainda assim
Nós nos deixamos
E o que era presente
Pretérito se tornou.

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Microconto/37

Laila se arrumou e foi para o bar. De uma das mesas, um homem ainda jovem e bem vestido começou a observá-la. Ela não poderia demonstrar ares de paquera, estava ali a trabalho. Mas os olhares se cruzaram, uma, duas, três vezes. Laila pensou: "Será que ele já se deu conta do que eu estou fazendo aqui?".
Então, ele se aproximou:
- Olá. Meu nome é Fernando.
- Laila - e ela apertou-lhe a mão meio nervosa, pensando em porque tinha dito seu verdadeiro nome. Antes que ele criasse alguma expectativa diferente da esperada, ela disse:
- Cobro por hora e cada hora custa cinquenta.
Ele não disse nada. Ela continuou, para quebrar o gelo e também porque não sabia mais o que poderia falar:
- Sabe, hoje é o meu primeiro dia... - E seu olhar ficou vago, distante.
Fernando chamou-a de volta à realidade quando retrucou:
- É o meu primeiro dia também.

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Poesia/104

Terremoto

Acima de mim, já não importava se era noite ou dia
Abaixo, a terra tremia
E ao meu lado, felizmente
Percebi que aquela mão ainda vivia.

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Poesia/103

Silêncio


Silêncio, meu ombro amigo
Agora é minha companhia
Silêncio, sente aqui comigo
Pois se foi minha alegria
O amor acabou
Numa madrugada fria
E você se instalou como devia
Já outras vezes eu notei
A sua presença forte
Antes de um primeiro beijo
Ou mesmo diante da morte
E quando acaba o Carnaval
Ou qualquer outra festa
Ali está você tão banal
É tudo o que nos resta
Silêncio, me sirva de abrigo
Por um minuto ou uma hora
Silêncio, agora eu lhe digo
Não se atreva a ir embora
Em tantas datas lhe encontrei
Meu bom e velho conhecido
Confesso: só quando você grita
É que me incomoda estar contigo.

domingo, 24 de outubro de 2010

Poetrix/12

A entrega

Eu choro, torço, rio
Quem me vê, não sabe o que vivo
Sabe apenas que estou lendo um livro.

sábado, 23 de outubro de 2010

Microconto/36

Pedro queria cuidar de algo. Era mais uma tentativa de ocupar-se com algo rotineiro.
Poderia ter um filho, mas não se sentia à vontade com a ideia, achava-a radical demais para ele. Também não gostava tanto assim de plantas. Decidiu, afinal, que queria ter um bichinho de estimação.
Mas o que arranjar? Um cachorro? Comum demais. Barulho e bagunça na certa. Um gato? Pêlos pela casa toda. Miados na madrugada. Um peixe? Muito sem graça. Um pássaro? Sim, era isso mesmo: queria um canário.
A ave foi adquirida. O canário era bastante inquieto. Cantava, talvez mais por tristeza ou tédio do que por vontade. Mas essa inquietude tão visível era óbvia: uma gaiola não era o seu lugar.
Não demorou muito para que Pedro, que era inquieto por natureza, ficasse ainda mais agitado com a afobação do pássaro. Então, tomou duas decisões. A primeira foi a de libertar o canário, que logo voou para longe. A segunda foi a de libertar-se, criando para si uma nova trajetória e tratando de adquirir suas asas pelo caminho.

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Microconto/35

Tinha voltado como se fosse uma outra pessoa. Não por vontade, mas por necessidade. E estava difícil se readaptar à vida de antes.
Nos dias que passavam lentamente, ia tentando fazer as mesmas coisas, agir igual. Os pais preocupavam-se, pensavam: "Será que teremos nosso filho de volta, por inteiro?"
Aí, Nancy apareceu. Nancy, que tinha se mudado para a cidade vizinha antes dele ir para a guerra; Nancy, por quem seu coração batia mais forte. Ela tinha aparecido para dizer que estava feliz porque ele tinha voltado, que sempre tinha acreditado que ele voltaria, que tinha sentido saudades... E quando ele a abraçou e ela se deixou beijar, ele soube que a vida, apesar da guerra, continuava. Enfim, ele sorriu e se sentiu em casa.

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Poesia/102

À noite
Eu não resisto
E te procuro
Para outro adeus

Tropeço
Por fim mergulho
Mergulho fundo
Nos olhos teus

E o meu pobre coração
Implora compaixão
E roga a Deus
Para ter forças

E não mais te procurar
Quando outra noite chegar

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Microconto/34

Era domingo e Julinho chorava. Chorava pela fome e pelo luto. A mãe ralhava:
- Ou come o almoço ou fica com fome.
Mas Julinho se manteve firme. Seu senso de justiça - ainda que ele nem soubesse o que seria isso - não o deixou. Jandira, sua melhor amiga, jazia na mesa, degolada e cozida entre batatas. Jandira, a galinha que ele tinha adotado como bicho de estimação, havia sido o almoço naquele dia.

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Microconto/33

Dalton levou o filho, George, para cortar o cabelo. Para distraí-lo, o cabelereiro perguntou:
- O que é que você torce, garoto? Flamengo?
- Não.
- Já sei. É Vasco!
- Não.
- Fluminense?
- Não.
- Ah, não me diga que torce para um time de fora do Rio!
- Não! Não!
- Me conte para quem você torce então.
O menino foi preciso. Tinha apenas quatro anos, mas sabia já ver a magia do futebol. Respondeu:
- Torço pela bola.

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Microconto/32

No primeiro encontro, Milena olhou-se no espelho. Olhos pintados, faces rosadas, batom caprichado, rosto ansioso.
Um mês depois, tinha ainda a aparência ansiosa de quem espera o passar das horas para ver o namorado.
Mas o tempo passou e um dia, quando Milena se olhou no espelho, viu que seus olhos e sua boca eram os do namorado. Depois disso, a cada vez que ela se mirava, havia algo a mais dele.
Mas o pior dia foi quando Milena se olhou, quase sem querer, e viu que não havia nada; nem ela nem o outro. Simplesmente não havia mais ninguém ali.

domingo, 17 de outubro de 2010

Conto/13

Na estação, a moça e a mala esperaram uma eternidade, mas o trem, esse não podia esperar. Entre a possibilidade de tomar o trem e não saber nunca se ele estava apenas atrasado ou perder o trem e esperar - talvez em vão - ela escolheu a primeira opção.
Alguns anos depois, o viu, por um desses acasos da vida. Aparentava tensão. O que ela enxergou foi um homem preocupado, carrancudo. Tão diferente do que era! Ela parou um instante, para pensar se iria ou não falar com ele. A fim de disfarçar, decidiu comprar um sorvete.
Nesse momento, ele a viu. Aparentava uma certa ansiedade, devia estar esperando por alguém. Tinha na mão o sorvete que acabara de comprar. Tão bela! Por que ele não tinha ido embora com ela? Ah, sim, ele não poderia esquecer nunca o motivo. Na mente, vieram as lembranças: a esposa chegando em casa mais cedo, justo no dia em que ele planejava deixá-la; a notícia da gravidez; ele pensando quão incapaz seria de abandonar a mulher grávida. Deveria ter acabado com o casamento assim que se apaixonou por outra. Torturava-se por isso e pelo rumo que as coisas tinham tomado. Era tarde... E naquele momento, aquela por quem tinha se apaixonado ali, tão perto. Deveria falar com ela?
Do outro lado da rua, ela olhou pelo canto do olho. Para que falar com ele, afinal? De que adiantaria uma explicação? Isso não mudaria e nem resgataria o passado; talvez só a fizesse sofrer de novo. Tinha que seguir em frente.
Com esse pensamento, ela se foi. Na outra calçada, ele a viu partir. Seguiu-a com o olhar, mas a vontade era de correr atrás dela, dizer o quanto sentia, falar que ainda a amava. Entretanto, ele achou que de nada adiantaria. E, enquanto seu corpo continuava ali parado na rua, seu coração ia embora, junto com o que restava daquela moça que um dia esperara na estação.

sábado, 16 de outubro de 2010

Crônica/26

Tem uma coisa em mim que dorme. Dorme quando vou e volto do trabalho, dentro do metrô lotado; dorme no final de cada mês, quando o dinheiro é curto. Essa coisa, essa parte de mim que dorme, pede para dormir, pois dormindo sonha e sonhando vê de forma diferente; vê da forma que gostaria que fosse.
Mas há outra parte, a que fica acordada. Essa parte sente e sabe que sonhar é importante, mas quer ficar acordada. Pede e exige ficar acordada, porque assim pode fazer algo concreto sobre os sonhos; sabe que pode tentar torná-los realidade.
Acredito que todos possuímos essas duas partes, em maior ou menor grau. E acredito mais ainda que todos precisamos manter os dois lados ativos. Precisamos que ambos estejam vivos, pois sem o 'lado realista', a vida perde a garantia. E sem sonhos, ela perde o sentido.

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Poesia/101

As manhãs são frias pra chuchu
O amor é doido pra dedéu
Mas que loucura boa é essa
Quando estou contigo, estou no céu!

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Poesia/100

Ouça-me
Hoje eu quero apagar o meu amor por ti

Afaste-se
É hora de esquecer o quanto eu fui feliz

Deixa-me
Tua amizade não cabe no meu coração

Mas antes de partir, conta-me
Como tirar o teu cheiro do meu colchão.

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Microconto/31

Thiago abriu os olhos lentamente. Tudo era branco, insuportavelmente branco. O cheiro ao redor era familiar e horrível: cheiro de hospital. Aos poucos, tentou se mexer, mas o corpo, fraco, já não respondia.
Mais um minuto e ele estranhou o silêncio. Sentiu-se só. Onde estavam as enfermeiras? O médico? Pior: onde estavam os amigos, os colegas de trabalho, a família? Aquela doença que o matava também lhe impusera a solidão.
De repente, sentiu um toque caloroso. A mão que também tinha acabado de acordar lhe segurava com força. Thiago moveu um pouco a cabeça. O suficiente para dizer ao homem a quem amava:
- Que bom que você continua aqui...

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Poesia/99

Meu relógio tá maluco
Mas não precisa de cuco
Pra se acertar
Meu relógio tá caduco
Mas não precisa de remédio
Pra se consertar
Meu relógio tá impreciso
Feito o mundo
Perdeu o siso
Escuto um cuco
O capturo
E o relógio, indeciso
"Bota o cuco, tira o cuco
Desse bicho não preciso
Só preciso de descanso
Tira a pilha
Para o pino
Vai dormir
E esquece o desatino"

Desencano.

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Poesia/98

Meu amor não quis a flor
Nem por isso senti dor
Meu amor me abandonou
Pois sua afeição acabou
Do fervor dantes vivido
Agora nada restou

Seu coração congelou
Sua boca se amargou
Nem sei porque
Meu amor se exasperou!

Nosso caso terminou
Mas sinceramente, meu amor
Isso pouco me importou
Pois da angústia já cansei
E a paixão já nem sei
Se no meu âmago perdurou!

domingo, 10 de outubro de 2010

Microconto/30

A música estava alta e a luz era fraca, típica das boates de striptease. Humberto caminhou entre as mesas e entre as pessoas de pé até chegar mais perto do palco, onde a luz era melhor. Havia dirigido por três horas até aquele lugar, depois de receber do detetive a informação pela qual esperara um mês inteiro.
Então, ele a avistou. Ela entrou usando um sobretudo preto, caminhou até a barra de ferro, e começou a dançar e a tirar a roupa. Quando a viu, ele quis subir em cima daquele palco e tirá-la dali, mas assim que ela começou a se despir para aquele bando de desconhecidos, ele ficou tão surpreso e admirado. Acabou desistindo.
Antes que o show terminasse, voltou para casa. Na manhã seguinte, ela chegou. Era o dia da folga de Humberto e ele ainda dormia. Ao acordar, viu que ela tinha lhe preparado o café. Ele sentou-se à mesa, meio sem jeito, tinha que falar, precisava falar:
- Preciso te confessar uma coisa.
- Sim...
Após segundos que pareceram uma eternidade, Humberto respirou fundo e disse:
- Te amo e continuo querendo passar o resto da minha vida com você.

sábado, 9 de outubro de 2010

Microconto/29

Dante queria chegar o mais rápido possível ao aeroporto. Tinha um encontro.
Ao chegar, fez o check-in e em seguida rumou para o compromisso.
Foi até o banheiro e olhou-se no espelho. E ali, de mochila nas costas, encontrou-se consigo mesmo, embora já fosse outro. Naquele banheiro encontraram-se o Dante que sonhava botar o pé no mundo e o Dante que agora era um viajante.

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Poetrix/11



Prossigo

Não tenho eira nem beira
Mas mundo afora
Sigo sem fronteiras.

Fonte da imagem: Agenda Digital

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Poesia/97

Shangri-lá

Eu não vou vou ali
Ou acolá
Vou longe, muito longe
Até onde a vista alcançar
Eu vou para Shangri-lá
Não sei como vou chegar
Se mapa eu sei que não há
Vou na fé para encontrar
Esse lugar que me cabe toda
E que se chama Shangri-lá
Eu vou de mala e cuia
Para nessa terra aportar
Lá meus sonhos terão vida
É lá onde eu quero ficar
Nesse lugar onde terei asas
Nesse lugar que é Shangri-lá.

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Poesia/96

Lia
Feita de luz
Estrela guia
Que me seduz
Lia
Que lê meus olhos
Transpira poesia
Por todos os poros
Lia
Moça bonita
Te ver sorrir
Já me vale a vida.

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Microconto/28

Não havia o que comemorar. Não tinham empregos, não tinham documentos, tampouco tinham esperança de que algo mudasse. Mas todos celebravam e eles queriam pelo menos um pouco daquela sensação de euforia, ainda que por uma noite apenas.
Com o pouco dinheiro que cada um arranjou, compraram algumas cervejas e dois frangos. Improvisaram uma mesa com caixotes e, ali debaixo do viaduto, comemoraram, como todo mundo, a chegada de mais um ano.

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Microconto/27

Começou pelas mãos - não era assim que devia ser? Ela o olhava apenas, e deixava que ele a tocasse.
Quanto tempo sem tocar sequer as mãos de uma mulher! Quer dizer, podia pagar, tinha como pagar, mas não queria chegar mais a esse ponto, de pagar por algumas horas de prazer seguidas de uma sensação de vazio.
Mas agora, ali estava ela, a solução para seu problema. Ela se deixava beijar e se deixava despir, tentadora, despudorada...
Depois, enquanto descansava ao lado dela, ele mal podia conter a alegria. Ela continuava ali, não havia ido embora como as outras. Era sua companheira, daquele momento em diante. E para fechar a noite com chave de ouro, decidiu batizá-la. Abraçou mais uma vez a boneca inflável que o encarava e disse:
- Olívia. Você vai se chamar Olívia.

domingo, 3 de outubro de 2010

Crônica/25

A melhor coisa desse domingo
Quem conhece pelo menos um pouco meus gostos literários, sabe que um dos meus autores favoritos é o uruguaio Eduardo Galeano. E, porque eu queria falar com ele de alguma forma, decidi lhe enviar uma carta.
Então, nesse domingo, ao abrir minha caixa de email, deparei com uma mensagem dele. Como posso descrever o que senti quando vi que Eduardo tinha me enviado um email? Alegria, muita alegria.
Esses dias, eu estava mesmo pensando o que teria acontecido pra que ele não tivesse (ainda) me respondido, fosse com outra carta, com um email ou, quem sabe, com sinais de fumaça. Eu me sentia um pouco triste e ansiosa por uma resposta. Em minha carta tentei expressar a minha admiração em poucas palavras, coisa difícil para mim. E por que a falta de resposta? Eduardo teria me achado invasiva? Teria acontecido algo com a carta? Será que eu teria enviado para o endereço errado? Ora, havia a possibilidade disso acontecer, afinal eu havia conseguido o endereço dele na Internet (!).
Mas, como me explicou Eduardo, ele voltou de uma longa viagem e só então leu minha carta. E sua resposta chegou. Veio num dia chuvoso e cansado; veio tão agradável, tão bonita! Veio, sem dúvidas, como a melhor coisa desse domingo.

sábado, 2 de outubro de 2010

Microconto/26

Está escuro. Mas eu sinto uma certa agitação... Tenho lembranças vagas me rodeando. Falas, cenas. "Ser ou não ser?", onde ouvi isso antes? Ou fui eu quem disse? Minha memória está fraca, confusa, quase inexistente.
Agora, a agitação aumenta. Vozes, algo me arremessa. Uma força grande. "Empurra!", é a palavra que mais escuto.
E de repente, uma luz ao longe. Eu me aproximo dela, levado. A palavra palco não me sai da cabeça. É isso, acho que é isso: estou na coxia, indo para o palco! Mas quais são minhas falas? Não há tempo, terei que improvisar. É agora, é agora! É hora do espetáculo! As cortinas se abrem, a luz bate na minha cara, uma plateia me encara alegre e eu choro... Sou carregado por algumas pessoas, tonto. Tudo é tão rápido! Mas no meio de todo o caos, posso ouvir um homem dizer:
- Parabéns, é um menino.

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Poesia/94

Meus braços
Se abrem certos
Para o teu abraço
Meus olhos
Se fecham ternos
Para o teu beijo
Meu corpo
Se aninha todo
Para o teu afago
E meu coração
Se entrega louco
E segue ao teu lado.