terça-feira, 29 de junho de 2010

Artigo/02

Artigo antigo... Da época em que eu estudava Jornalismo na FIC!...

Assim falou Zaratrusta... E nós? Falamos o que?

No século XIX, “distante de deus” depois de anos de estudo, Friedrich Nietzsche escreveu o que talvez seja sua obra mais conhecida, “Assim falou Zaratrusta”. E nós? O que temos a dizer sobre seus escritos? Passados mais de 100 anos, o que aconteceu com as idéias de Nietzsche? Dissertar sobre elas é tarefa difícil, já que ele não escreveu uma leitura simples. Porém, tentar é o princípio de tudo.

Nietzsche pretendia chegar à mente dos leitores não pela forma mais fácil, e sim pela mais “perversa”. Ele queria fazer com que o leitor enxergasse que, para superar a si mesmo, deveria livrar-se do domínio da sociedade, da família e das idéias religiosas. E para isso, nada melhor do que raciocinar! Tomar atitudes dignas de quem não se prende a padrões, de quem não se submete a conceitos impostos para o que quer que seja. Nietzsche acreditava que a humanidade só iria evoluir se todos parassem para pensar por si mesmos.

Palavras chave: “Super homem”, dever, criador.

Nietzsche estudou teologia por vários anos, até não querer mais “se curvar” a um criador que, para ele, funcionava como apoio à idéia de submissão. Então, desenvolveu uma espécie de “doutrina do super homem”, onde a crença é de que “a vontade de poder” eleva o homem a essa categoria (a de "super homem").

Entre os delírios humanos há o simples desejo de ter poder. Sobre si mesmo, sobre os outros, sobre o mundo e até mesmo sobre o suposto criador.
O fato de “não dever” realizar certos atos faz com que o homem se sinta acuado e infeliz. Então, ele questiona se será castigado por Deus e até mesmo se este existe. Mas há verdades contra as quais o homem não pode lutar. Ele tem fraquezas insuperáveis e não adianta modernizar e globalizar o mundo e/ou sua vida para tentar vencê-las.
Um exemplo de fator contra o qual o homem não tem poder: a natureza. Existem fenômenos naturais contra os quais o ser humano só pode lidar de uma forma: buscando proteção.

Porém, quando fala de evolução, Nietzsche não propôs superar esse tipo de fraqueza. A questão era a de superar a si mesmo, crescer intelectualmente, parando de acreditar em tudo que era ensinado desde o nascimento e começando a pensar por si próprio.
As idéias desse filósofo não se perderam do século XIX até o momento atual. Ainda somos condicionados a crer no que ouvimos e a fazer o que nos mandam fazer.
Quanto à questão religiosa, esse pensador negava a existência de um deus. Mas não era ao “deus real” a quem o escritor se referia, e sim ao “deus criado por nós”, o deus que nos obriga a viver sob sua dominação e suas regras e que depois nos pune por causa de nossa desobediência. Essa “personalidade” de Deus, de acordo com Nietzsche foi inventada por nós mesmos; depois, não foi mais aceita e acabou sendo deixada de lado pela maioria. Sendo assim, Nietzsche propõe que nós criamos deus, depois não o agüentamos e o matamos – talvez por isso mesmo ele tenha dito uma de suas frases mais conhecidas: “Deus está morto”.

Agora, verdade seja dita: não há como negar a inteligência desse autor. A idéia de evolução que ele propôs é interessante, mas é uma pena que não seja aplicada. Hoje, concebe-se essa idéia de evolução como algo mais simples: individualidade, criatividade. Não se pode ensinar como ter isso, mas ensinar que você pode ter já é um bom começo para a “evolução” proposta por Friedrich Nietzsche.

Bibliografia: Assim falou Zaratrusta – Um livro para todos e para ninguém - Friedrich Nietzsche – 1883/1892.

Um comentário:

Sâmia disse...

Hummmm,
Bem q eu sabia q as obras dele eram interessantes, mas nunca tinha pesquisado a respeito. E com essa interpretação então... ê cabra bom! (Doido q nem nós)
Valeu a dica, Taty!!! ;)
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