quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Crônica/18

Esta é a primeira de uma série de crônicas que pretendo escrever sobre olhares que me marcaram ao longo dessa existência. Espero que curtam! TF*


Olhares - parte I

Tem olhares que eu capturei com meus próprios olhos. Às vezes, me dá uma angústia porque não pude gravá-los com uma lente... São sempre olhares marcantes.
Um desses olhares foi o do ser andrógino que me encarou numa noite carioca de 2008. Desci do ônibus na Praça Paris, na Glória, sem imaginar que um dia esse bairro me serviria de morada. Na época, fui olhar uma vaga e, no caminho, eu o vi. Estava parado à meia luz e usava um sobretudo. Quanto mais eu me aproximava, mais pensava que ele iria se virar e abriria o sobretudo para que eu olhasse seu corpo nu.
Mas o que ele fez me surpreendeu mais ainda: ele me encarou. Eu não saberei nunca traduzir bem aquele olhar azul. Era uma mistura de indagação com surpresa e também com audácia... Olhar que eu nunca mais vi na vida, nem naqueles olhos azuis e nem em outros olhos.
Não capturei esse olhar com uma câmera, mas ele está gravado na minha memória e toda vez que passo pela Praça Paris, eu me lembro dele e me surpreendo igual.

Um comentário:

dudu disse...

oiiii!!! Gostei muito dessa crônica, você sempre cruzando com gentes loucas do rio nê?
beijos tudo de bom, continue escrevendo sempre coisas bonitas...