Não havia o que comemorar. Não tinham empregos, não tinham documentos, tampouco tinham esperança de que algo mudasse. Mas todos celebravam e eles queriam pelo menos um pouco daquela sensação de euforia, ainda que por uma noite apenas.
Com o pouco dinheiro que cada um arranjou, compraram algumas cervejas e dois frangos. Improvisaram uma mesa com caixotes e, ali debaixo do viaduto, comemoraram, como todo mundo, a chegada de mais um ano.
Tatyana França, aspirante a escritora, decidiu fazer seu próprio projeto literário. Assim, nasceu o Nulla dies sine linea: 09 meses de textos nos mais variados estilos. O desafio foi cumprido: nenhum dia sem postar, de 14 de março a 14 de dezembro de 2010!
terça-feira, 5 de outubro de 2010
segunda-feira, 4 de outubro de 2010
Microconto/27
Começou pelas mãos - não era assim que devia ser? Ela o olhava apenas, e deixava que ele a tocasse.
Quanto tempo sem tocar sequer as mãos de uma mulher! Quer dizer, podia pagar, tinha como pagar, mas não queria chegar mais a esse ponto, de pagar por algumas horas de prazer seguidas de uma sensação de vazio.
Mas agora, ali estava ela, a solução para seu problema. Ela se deixava beijar e se deixava despir, tentadora, despudorada...
Depois, enquanto descansava ao lado dela, ele mal podia conter a alegria. Ela continuava ali, não havia ido embora como as outras. Era sua companheira, daquele momento em diante. E para fechar a noite com chave de ouro, decidiu batizá-la. Abraçou mais uma vez a boneca inflável que o encarava e disse:
- Olívia. Você vai se chamar Olívia.
Quanto tempo sem tocar sequer as mãos de uma mulher! Quer dizer, podia pagar, tinha como pagar, mas não queria chegar mais a esse ponto, de pagar por algumas horas de prazer seguidas de uma sensação de vazio.
Mas agora, ali estava ela, a solução para seu problema. Ela se deixava beijar e se deixava despir, tentadora, despudorada...
Depois, enquanto descansava ao lado dela, ele mal podia conter a alegria. Ela continuava ali, não havia ido embora como as outras. Era sua companheira, daquele momento em diante. E para fechar a noite com chave de ouro, decidiu batizá-la. Abraçou mais uma vez a boneca inflável que o encarava e disse:
- Olívia. Você vai se chamar Olívia.
domingo, 3 de outubro de 2010
Crônica/25
Quem conhece pelo menos um pouco meus gostos literários, sabe que um dos meus autores favoritos é o uruguaio Eduardo Galeano. E, porque eu queria falar com ele de alguma forma, decidi lhe enviar uma carta.
Então, nesse domingo, ao abrir minha caixa de email, deparei com uma mensagem dele. Como posso descrever o que senti quando vi que Eduardo tinha me enviado um email? Alegria, muita alegria.
Esses dias, eu estava mesmo pensando o que teria acontecido pra que ele não tivesse (ainda) me respondido, fosse com outra carta, com um email ou, quem sabe, com sinais de fumaça. Eu me sentia um pouco triste e ansiosa por uma resposta. Em minha carta tentei expressar a minha admiração em poucas palavras, coisa difícil para mim. E por que a falta de resposta? Eduardo teria me achado invasiva? Teria acontecido algo com a carta? Será que eu teria enviado para o endereço errado? Ora, havia a possibilidade disso acontecer, afinal eu havia conseguido o endereço dele na Internet (!).
Mas, como me explicou Eduardo, ele voltou de uma longa viagem e só então leu minha carta. E sua resposta chegou. Veio num dia chuvoso e cansado; veio tão agradável, tão bonita! Veio, sem dúvidas, como a melhor coisa desse domingo.
sábado, 2 de outubro de 2010
Microconto/26
Está escuro. Mas eu sinto uma certa agitação... Tenho lembranças vagas me rodeando. Falas, cenas. "Ser ou não ser?", onde ouvi isso antes? Ou fui eu quem disse? Minha memória está fraca, confusa, quase inexistente.
Agora, a agitação aumenta. Vozes, algo me arremessa. Uma força grande. "Empurra!", é a palavra que mais escuto.
E de repente, uma luz ao longe. Eu me aproximo dela, levado. A palavra palco não me sai da cabeça. É isso, acho que é isso: estou na coxia, indo para o palco! Mas quais são minhas falas? Não há tempo, terei que improvisar. É agora, é agora! É hora do espetáculo! As cortinas se abrem, a luz bate na minha cara, uma plateia me encara alegre e eu choro... Sou carregado por algumas pessoas, tonto. Tudo é tão rápido! Mas no meio de todo o caos, posso ouvir um homem dizer:
- Parabéns, é um menino.
Agora, a agitação aumenta. Vozes, algo me arremessa. Uma força grande. "Empurra!", é a palavra que mais escuto.
E de repente, uma luz ao longe. Eu me aproximo dela, levado. A palavra palco não me sai da cabeça. É isso, acho que é isso: estou na coxia, indo para o palco! Mas quais são minhas falas? Não há tempo, terei que improvisar. É agora, é agora! É hora do espetáculo! As cortinas se abrem, a luz bate na minha cara, uma plateia me encara alegre e eu choro... Sou carregado por algumas pessoas, tonto. Tudo é tão rápido! Mas no meio de todo o caos, posso ouvir um homem dizer:
- Parabéns, é um menino.
sexta-feira, 1 de outubro de 2010
Poesia/94
Meus braços
Se abrem certos
Para o teu abraço
Meus olhos
Se fecham ternos
Para o teu beijo
Meu corpo
Se aninha todo
Para o teu afago
E meu coração
Se entrega louco
E segue ao teu lado.
Se abrem certos
Para o teu abraço
Meus olhos
Se fecham ternos
Para o teu beijo
Meu corpo
Se aninha todo
Para o teu afago
E meu coração
Se entrega louco
E segue ao teu lado.
Assinar:
Postagens (Atom)