"Opa!", ela disse.
E quem diria
Que aquela moça
Daria tal lição
Na minha mão boba!
Tatyana França, aspirante a escritora, decidiu fazer seu próprio projeto literário. Assim, nasceu o Nulla dies sine linea: 09 meses de textos nos mais variados estilos. O desafio foi cumprido: nenhum dia sem postar, de 14 de março a 14 de dezembro de 2010!
terça-feira, 31 de agosto de 2010
segunda-feira, 30 de agosto de 2010
Microconto/12

O brinco
Num dia que parecia ser como outro qualquer, Marcela perdeu um dos brincos. Ficou triste: o brinco tinha sido presente da avó, que já havia morrido. Marcela tentou consolar-se, pensando que era somente um brinco, coisa material apenas, e o mais importante é que guardava na mente as lembranças da avó. "Brincos vêm e vão", disse para si mesma.
Naquela noite, ao regressar para casa, viu algo brilhando em frente ao portão: era ele, o brinco perdido. Marcela levou o danado para dentro e concluiu que ele não havia se perdido, afinal. Assim como a avó, estava só dando uma voltinha por aí.
Fonte da imagem: Casamento e festa
domingo, 29 de agosto de 2010
sábado, 28 de agosto de 2010
Microconto/11
Quarenta anos, uma esposa, um par de filhos, muito tempo na mesma empresa.
Vida pacata, feliz aos olhos de fora. Mas ninguém enxergava sua inquietude diante da própria existência. E por várias noites, ele olhava antigas fotografias e pensava sempre em quem tinha deixado para trás: ele mesmo.
Vida pacata, feliz aos olhos de fora. Mas ninguém enxergava sua inquietude diante da própria existência. E por várias noites, ele olhava antigas fotografias e pensava sempre em quem tinha deixado para trás: ele mesmo.
sexta-feira, 27 de agosto de 2010
Crônica/23
Eu o vi através do vidro. Fui até ele e minha boca emudeceu, mas meu olhar disse: "Você vem comigo". E ele veio.
Então, eu comecei a (re) devorar esse homem, com quem nunca conversei. Eu o encontro sempre, já há algum tempo, por acaso ou porque o procuro. E ele pode ser, ao mesmo tempo, conhecido e desconhecido, novo e velho.
Ele não sabe ainda, mas sonho em apertar-lhe a mão, em Montevidéu ou em qualquer outra cidade; não importa, contanto que eu possa apertar a mão com a qual ele escreve. E também sonho, enquanto o leio, em dizer-lhe olhando nos olhos: "Obrigada. Obrigada por suas palavras".
(para Eduardo Galeano)
Então, eu comecei a (re) devorar esse homem, com quem nunca conversei. Eu o encontro sempre, já há algum tempo, por acaso ou porque o procuro. E ele pode ser, ao mesmo tempo, conhecido e desconhecido, novo e velho.
Ele não sabe ainda, mas sonho em apertar-lhe a mão, em Montevidéu ou em qualquer outra cidade; não importa, contanto que eu possa apertar a mão com a qual ele escreve. E também sonho, enquanto o leio, em dizer-lhe olhando nos olhos: "Obrigada. Obrigada por suas palavras".
(para Eduardo Galeano)
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